FORA BOLSONARO! Carreatas por todo o país pedem o impeachment de Bolsonaro.

24/01/2021 22:45

Carlos Uchoa Magrini, Assíria Conti

A insatisfação da população brasileira com o governo Bolsonaro já vem se acumulando desde sua posse. Seus discursos ideológicos de extrema direita impulsionando o ódio contra as mulheres, servidores públicos, professores, negros, LGBTQ+, bem como contra os socialistas, petistas e todos aqueles que se identificam com a esquerda, ao mesmo tempo que alimentavam seus seguidores, já começavam a provocar um mal-estar entre setores que não apoiam ideias e comportamentos preconceituosos e até mesmo fascistas.

Porém, devido à pandemia e também à inércia das direções das centrais sindicais e dos partidos de esquerda, a classe trabalhadora estava imobilizada e sem iniciativa para combater esse governo neofacista, genocida e entreguista.

O cenário de crise profunda do capital, agravada pela pandemia do novo Coronavírus já atinge números exorbitantes no Brasil. O desemprego atinge número recorde desde a década de 1990. Bolsonaro não gerencia a crise sanitária de modo a conter o avanço da doença, impactando nos crescentes números de mortes, além da crise econômica que se agrava a cada dia.

No dia 11/01, a Ford anunciou o fechamento das fábricas de Camaçari, na Bahia; de Taubaté, em São Paulo; e de horizonte, no Ceará. Isso significa a perda de aproximadamente 5 mil empregos diretos e de 50 mil indiretos. Logo depois a Audi também anunciou seu fechamento e outras empresas já apontam para o mesmo caminho.

Esse fechamento de empresas causou espanto e preocupação, principalmente na esquerda. Mas, foi a negação da vacina contra o Coronavírus que deixou o Brasil como um dos últimos países a providenciar a compra da mesma e a sofrer sérias consequências por essa atitude. Em Manaus, o povo seguindo as ideias de Bolsonaro, foi às ruas para manifestar contra o lockdown, fazendo com que o prefeito determinasse o fim deste. Como consequência, uma semana depois a rede hospitalar pública e privada estava colapsada e as pessoas começaram a morrer por falta de oxigênio e sem atendimento. Uma situação horrível!

Comovidos com esse drama, artistas iniciaram uma campanha solidária para a compra de oxigênio para enviar a Manaus. O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, enviou cinco caminhões com oxigênio doados no dia 19/01. Essa situação motivou o povo brasileiro a sair do imobilismo.

Foi convocada pelas centrais sindicais, partidos de esquerda, Frente Brasil Popular e Frente Povo sem Medo, uma carreata para o dia 23/01, a favor da vacinação contra o Covid-19 e pelo impeachment do governo Bolsonaro. A convocação foi feita através dos sites oficiais dessas entidades, mas ganhou força nas mídias sociais.

Segundo a CUT, as carreatas aconteceram em mais de 90 cidades, incluindo 24 capitais e o distrito federal. Foram carretas imensas com bandeiras e cartazes, deixando claro que o povo brasileiro não aguenta mais os desmandos desse governo e está disposto a lutar para derrubá-lo. Em São Paulo, o presidente da CUT-SP, Douglas Izzo, estimou que teve mais de 2 mil veículos na carreata que durou mais de três horas.

Segundo Janeslei Albuquerque (Secretária de Mobilização e Relações com Movimentos Sociais da CUT), “A tragédia em Manaus não é ponto fora da curva. Foi anunciada, prevista e denunciada, mas absolutamente nada foi feito”.

Janeslei aproveitou para denunciar o fechamento da Fafen, que pertencia à Petrobras: “O governo prefere a contaminação total e chegamos ao ponto de pessoas morrerem asfixiadas por falta de oxigênio quando temos em Araucária, no Paraná, uma fábrica que poderia produzir o oxigênio necessário para salvar vidas no Brasil, mas foi desativada há um ano”.

Não temos os dados de todas as cidades, mas as notícias que continuam chegando são de sucesso e com resposta positiva da população que acenou, bateu panela e gritou “Fora Bolsonaro”.

Essa carreata do dia 23/01 que se espalhou pelo Brasil como um rastilho de pólvora, além de incentivar o povo a continuar com outras carreatas, pode chegar a outras cidades, mostrando o descontentamento do povo e sua vontade de fazer algo para derrubar o governo Bolsonaro.

Enquanto isso, na burocracia do Congresso Nacional, Rodrigo Maia (DEM), presidente da Câmara dos Deputados, continua sentado confortavelmente sobre uma pilha de mais de 60 pedidos de impeachment do presidente.

Algumas lideranças da direita, como o próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), já deixaram claro em suas falas que querem “sangrar” Bolsonaro até 2022, para derrota-lo nas eleições. Algumas lideranças da esquerda, como Fernando Haddad (PT), Marcelo Freixo (PSOL) e Manuela D’Ávila (PC do B) também deixaram claro que apoiam essa estratégia e querem construir uma frente ampla com setores “democráticos” da burguesia. Parece que esqueceram que esses setores “democráticos” da burguesia são os mesmos que deram o golpe que derrubou o governo Dilma Rousseff (PT).

Para nós, apenas carreatas não tem o poder de fazer o governo Bolsonaro cair. Mas elas podem ser o ponto de partida para um grande movimento popular por todo o país. Precisamos organizar mais carreatas e manifestações de rua, com o objetivo claro de construção da greve geral, exigindo o fim do governo Bolsonaro e eleições diretas.

A esquerda deve ocupar o espaço que está aberto nesse vácuo das eleições de 2018, quando a burguesia sem opções, apoiou a ascensão de Bolsonaro, que não agrada aos setores da direita tradicional, mas lhe é útil ao manter uma pauta de governo entreguista, privatista, liberal e de austeridade contra trabalhadores. A esquerda não pode mais manter a tática eleitoreira de frente ampla com setores que têm a pretensa fala de defesa da democracia, mas que são de fato golpistas que defendem meramente os interesses da burguesia.

Nesse contexto vemos a necessidade de, paralelamente a essa luta, realizarmos um grande esforço para construir uma unidade de esquerda com base em um programa de governo construído coletivamente e que atenda às necessidades e reivindicações da classe trabalhadora.

Esse é o caminho para abrirmos o diálogo com a classe trabalhadora, apresentando uma saída à esquerda. Também pode ser o caminho para a construção de um partido revolucionário, com um programa que atenda à pauta de reivindicações imediatas e transitórias da classe trabalhadora, ou seja, o início de um caminho para a derrubada do capitalismo. É necessário deixarmos bem claro que somente com um processo revolucionário conseguiremos destruir o estado burguês e construir sobre seus escombros um estado socialista sob o comando dos trabalhadores.

  • Rumo à Greve Geral!
  • Fora Bolsonaro!
  • Eleições Diretas, Já!
  • Por um governo dos trabalhadores do campo e das cidades!

 

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